terça-feira, 16 de dezembro de 2014

Preciso de mudanças!

Springs, de Henri Houben
A mudança está no ar,  Maria não sabe o que a espera pela frente. Mais crescida e madura, reluta em abrir seu universo pessoal. Não há nada de novo sobre a Terra e o que Maria pode esperar é por experiências que lhe mostrem outros aspectos da vida que está aí, desde que o mundo é mundo. Está tudo aí. Ela só precisa ver, mas não sabe o quê. Há um certo cansaço em suas palavras, uma certa impaciência pela falta de surpresas. Seu coração está endurecido como uma pedra. Questiona tudo, Deus, trabalho, sentimentos, valores.

Bem, não sei qual é o rumo que Maria vai tomar, mas eu vou continuar contando histórias. Minhas Marias, personagens reais ou fictícias, sempre passam mesmo pela minha observação e compreensão. Neste sentido, o horizonte é de esperança.  Assim como Jeconias, rei de Judá, quando foi anistiado pelo rei da Babilônia, espero que Maria tire parte das suas roupas de prisioneira para tentar alçar novos voos.  Ela envelhece antes de mim. Vai sempre na frente em suas experiências e agora que é legalmente idosa mistura mais uma vez suas gavetinhas cartesianas em busca de novas combinações para uma velhice honrada. Todas as portas fechadas hão de se abrir. Caminha ainda ruborizada, mas com rosto alegre, enquanto eu, a seu lado, observo cada detalhe de sua transformação para traduzir em palavras. Nada fácil observar o essencial e traduzir a essência, mesmo com o olhar treinado para perscrutar almas humanas.  

quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

Vozes do silêncio

Leonid Afremov


Ah! Esse clima gostoso - de chuva fina, de periquitos alvoroçados, de ruídos distantes, de silêncio de palavra - transporta Maria para seu mundo secreto, penetrável e habitado unicamente por ela. A eterna contradição de quanto mais dentro de si fica, mais se integra ao Universo e aprofunda sua sensação de pertencimento. Ali os habitantes são outros, as vozes lhe chegam sem som. Gilberto Gil já cantou: “Se eu quiser falar com Deus, tenho que subir aos céus, tenho que calar a voz”. Em dias de sensibilidade aguçada, amplia-se a possibilidade de ser intensa, generosa, e a sensação de liberdade abre os horizontes. É permitido se sentir plena, feliz, em paz profunda!
Manhãs de chuva e vento frio, aumentam essa sensibilidade em Maria. Gosta da luz, da claridade que ilumina a caminhada interna. Nem sempre é na penumbra ou no isolamento que as reflexões ocorrem. Hoje, em especial, é na convivência íntima com a natureza que a cerca. Há apenas o ser vivente, enamorado das belezas proporcionadas por uma energia cósmica, inimaginável quando se segura o foco no mundo concreto. Tudo e nada se confundem. Impelida pela angústia Maria busca a solidão que lhe permita encontrar argumentos para sua existência.

Não foi fácil sentar para escrever. Trazer os pensamentos do nada para o vazio das letras. Sentir a pressão do tempo fatiado nos ponteiros do relógio. Olha-se no espelho. Quando amanhece num dia chuvoso, de estonteante claridade, está, de certa forma refletindo o que tem na alma. O dia favorece os voos platônicos, mas o espelho permite retê-los. Entre o ideal e a realidade fica o sentimento de que a solidão não é só dela, é humana. Harmonizada com a consciência universal, não está sozinha. Sem delírio ou fanatismo, Maria quer saber se você a acompanha, a não andar, a não falar, a não ter o que trocar a não ser o silêncio.

sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

Apenas moinhos de vento

Maria se emociona ao ver aquela paisagem pela primeira vez. Tudo lhe parece familiar, afinal passara parte de sua vida tendo a fantasia como ferramenta de trabalho e, naquele instante, o que lhe vem à mente é o mito quixotesco que permeou sua literatura. Lutou sim com enormes e cruéis gigantes que, ao final, se transformaram em moinhos de vento, só mesmo para lhe roubar a glória da vitória. E como Quixote, sua luta sempre foi solitária. Arremessou-se sozinha contra todos. Ganhou batalhas em números idênticos às que foi derrotada. Tornou-se mestra em oximoros, em aproximar sentimentos antagônicos, em rir da dor e chorar de alegria. Apostou suas fichas na vizinhança do impossível. Mas viu moinhos se transformarem em gigantes e era isso o que importava. 
Se a luta contra moinhos de ventos é o paradigma da luta inútil, Maria, finalmente, encontrava seu caminho e assumia sua fantasia. Qual era sua alucinação naquele momento? O medo de viver ou de morrer? Entendia profundamente a ficção e a realidade, mas a ela não importava a inutilidade, desde que a entendesse como necessária para seu desejo e, portanto, necessária para o mundo. De suas fantasias alicerçou a ponte para a realidade e pavimentou a realidade com fantasia. A vida lhe pareceu mais suportável. Naquele momento Maria não apenas realizava uma de suas inúmeras viagens imaginárias e fantásticas,  também pincelava de realidade o que um dia não passou de alucinação. 



quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

Assim mesmo eu costuro

La jeune ouvriere, de Willian Bouguereau
Enquanto remenda as roupas Maria se entrega a seus pensamentos. Seria tão bom se pudesse remendar também sua vida. Algumas costuras ficaram frouxas precisando de um nó mais apertado para que não se desfizessem com o passar do tempo. Velhas e rotas, seus andrajos colam em seu corpo,  seguem-na, perseguem-na, roubam-lhe a liberdade. No silêncio de seus pensamentos busca respostas, caminhos, soluções e a certeza de felicidade possível. Para reaprender a viver terá que romper velhos hábitos, renovar ideias, buscar esse fenômeno catalisador já que o corpo não se renova.
Mergulhada em seus pensamentos enquanto costura, cada nó antecede uma sequência de pontos, assim como as indagações que faz. As vivências, as observações, o estudo, forma seu pensamento, mas naquele momento, a vida real passa pela linha e pela agulha.  Costurar é isso.  Decifrar pensamentos e observações, expressar-se na delicadeza ou firmeza dos pontos, vivenciar o silêncio da atividade e também ouvir e identificar as milhares de vozes e a calar outras. Isso dá conteúdo ao seu trabalho. Nem carne quebrada, nem nervo rendido, apenas o ato de coser para estimular o pensamento.
Trilhar o mundo interior é uma experiência que exige equilíbrio, compreensão. Nem tudo é brilhante e muitas vezes Maria se vê obrigada a lidar com as sombras, com suas sombras. Busca a luz para passar a linha na agulha, busca a luz para encontrar a direção na vida, porque há caminhos que brilham mais, exercem maior fascínio e a tendência natural é que a de se deixar levar pelo que dá mais prazer, como na hora de escolher uma agulha grossa que não dará a perfeição no remendo, mas facilitará o processo. Maria é humana, simplesmente humana e é na convivência consigo mesmo que ela provoca perguntas que não encontram respostas, a menos que haja um firme propósito de disciplinar-se, de aprender com a própria imperfeição. 

terça-feira, 2 de dezembro de 2014

Paris no túnel do tempo



Evening Beauty, de Mark Spain


Olhando aquele cenário diferente, cheio de histórias e rico em detalhes arquitetônicos, Maria se vê, de repente, lembrando conteúdos que preencheram suas primeiras incursões na alma humana. Não vai se encontrar com Ernest Hemingway, Proust,  Cole Porter, Luis Bruñuel, ou Picasso, ou mesmo Sartre, mas espera por aquela sensação nostálgica que a inspire e a encoraje a escrever, mesmo em relação àquilo que não viveu.

Toda cidade tem suas peculiaridades humanas, aquelas que podem até ser integradas às paisagens, mas estão intrinsecamente ligadas ao comportamento humano. Algumas são típicas de determinadas personagens. Lembro-me, da minha infância, de Judith, que inaugurou o bundaço como protesto e rebeldia aos padrões da época. Mal imaginava ela que um dia isso seria moda. Mas em minha cidade de origem havia outras figuras diferentes, como as minhas xarás “Maria Taquara” e Maria Bobó. A primeira se vestia de homem, desafiava os padrões sociais.  A segunda, mais ingênua e mais coquete,  se enfeitava com laços coloridos de papel crepom para acompanhar as procissões. Aqui em Goiás uma dessas excêntricas personalidades virou boneca: Maria Grampinho, que assim como Mari Bobó gostava de se apresentar bonita e prendia seus cabelos rebeldes com inúmeros grampinhos.

Mas não são só as Marias, as cidades também têm Joãos e Pedros que se destacam por sua singularidade. Em meu setor, João não escapava da observação de minha avó e chegava a lhe arrancar sorrisos. João conta os passos, mas sempre se esquece no meio da contagem, então ele volta atrás – certamente de onde imagina que perdeu os números – e começa tudo de novo. Então, observar a caminhada de João é como assistir a uma dança diferente, não apenas pelo gingado que impõe ao seu corpo, mas pelos volteios, giros e “promenades”.


É. Maria foi buscar a Paris que inspira e encanta e isso é meio surreal, não se mede por números de passos dados, mas por uma contagem interna que certamente terá, muitas vezes, que ser retomada. Não há possibilidade real de se viver outra época, sem que esta se torne também uma prisão. E nas prisões, a criatividade se esgota. Talvez por isso Maria tenha buscado suas primeiras referências, para conhecer a Paris, que como ela, vive de suas histórias. Ao mesmo tempo, usa seu olhar e abertura de alma para deixar o novo entrar. 

segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

Coração em festa

James Shannon
Ainda é primavera no coração de Maria. As manhãs são sempre barulhentas. Gorgeios de pássaros e cigarras começam muito cedo. No ar o cheiro de flores toma conta do ambiente. A cidade se veste inteira de flamboyants e bougainvilles de coloridos vivos. Os canteiros das avenidas readquirem seu verde intenso e se enfeitam de sempre-vivas, margaridas, azaléias, campânulas, petúnias e flores típicas do cerrado. Um brinde aos olhos do caminhante desatento. Não é possível ignorar tanta beleza.

Naquela praça,  naquele ponto perdido em algum lugar do espaço, as diferenças não mais existem. Não existe velho, nem novo. Não existe feio ou bonito, não existe perto nem longe. Apenas o mar de sentimentos tão intensos e imenso quanto o tempo que os separou. Nesse instante mágico são apenas dois amantes apaixonados alimentando o espírito e celebrando a vida, o renascimento, o reencontro.

quarta-feira, 19 de novembro de 2014

Justiça e Generosidade

Allegory Of Wisdom And Justice, de Hermann Kaulbach
Justiça e generosidade são dois conceitos que se confundem e se completam, mas só são compreendidos à luz da virtude. Justiça pressupõe um estado de equilíbrio, de imparcialidade, de neutralidade, de igualdade, enquanto a generosidade denuncia o desequilíbrio e pressupõe uma condição de partilha. Para Aristóteles, a justiça denota ao mesmo tempo legalidade e igualdade, e traz embutida o objetivo de manter a ordem social, preservando o direito de todos em sua forma legal. Assim, é justo quem cumpre a lei e também é justo aquele que dá ao outro aquilo que lhe é devido. É nesta última forma que a justiça se confunde com a generosidade e que se faz necessário entender o que é virtude. Para ser justo é necessário ser generoso, e para ser generoso é preciso ser justo.
Virtude não é uma característica da pessoa, mas uma inclinação que ela tem e que a orienta para a prática do bem. Muitos foram os filósofos a tratar de seu conceito, mas citei Aristóteles e fico com ele - embora pudesse me apoiar em qualquer outro que veio depois e ampliou esse conceito - que divide a virtude em intelectual e moral: intelectual é o resultado gerado da aprendizagem, da educação, da inteligência; virtude moral é o resultado do hábito, que nos torna capazes de praticar atos justos. Intelectual ou moral, ninguém nasce virtuoso. As virtudes são adquiridas pela repetição dos atos, que geram o costume e que, por sua vez, geram os atos. Estes não podem se desviar, nem por defeito, nem por excesso, pois a virtude está no equilíbrio, na justa medida.
A justiça também lida com conteúdos internos e quando se busca a igualdade está também lidando com a generosidade, mas tem a seu favor um conjunto de leis para aplicar, o que faz parecer mais fácil de ser praticada. A generosidade é mais fluida, passa pela moral (que sofre influência do tempo e do espaço) e também precisa ser equilibrada. Generosidade de menos é avareza, em excesso é extravagância. Generosidade tem que ser como remédio, aplicada na medida certa, porque a falta causa a morte e o excesso se transforma em veneno.
A vida nos proporciona vários enganos e ninguém está livre de embarcar em uma canoa furada ou errada, mas nem tudo é equivocado. A prática da virtude, da justiça, da generosidade, acaba atuando como escudo e nos protegendo de enganos. Todos somos afetados pelo que está à nossa volta e afetamos o outro com aquilo que somos. São essas certezas interiores que me guiaram a vida toda. Bato as portas da velhice sem os valores imprimidos pelo mundo, mas amparada pela dignidade e orgulho de ter vivido uma vida reta. O que não consegui, pelo menos tentei. Então, grosseiramente, posso concluir que a virtude completa, de modo excelente, a natureza de um ser.

sexta-feira, 14 de novembro de 2014

Vida e Morte: irmãs siamesas

The Return, de René Magritte
As irmãs Vida e Morte são como irmãs siamesas, falar de uma é chamar a presença da outra.Aqui e agora é intervalo de tempo que existe entre o nascer e o morrer. É o que chamamos de vida. Ao nascer, o ser vivo traz em si a presença interior da morte. A natureza existe a partir de um processo cíclico, do nascimento e da morte, ou da morte para que haja renascimento. O fruto morre para dar lugar à semente, a semente morre para dar lugar a uma nova planta. Este processo também é nosso, da humanidade, somos parte da natureza, nos diferenciando apenas por nossa capacidade de raciocinar e questionar a nós mesmos. Valores, crenças, saberes, em tudo há um ciclo natural na evolução, nascer, progredir, existir, decair, renovar.
Nesse processo, a morte e os mistérios que envolvem seu significado ainda incomodam o homem. Sabemos que é uma experiência única, última, pessoal, intransferível e inevitável. .Ninguém escapa deste momento: ricos, pobres, bonitos, feios, desconhecidos, famosos, homossexuais, heterossexuais, brancos, negros, comunistas, capitalistas, jovens, idosos. Meditar/filosofar sobre a morte é, segundo Michel de Montaigne, aprender a morrer. Ele nos apresenta a morte como finalidade da vida, e a filosofia como o remédio que nos permite enfrentá-la com serenidade. Não sabemos onde a morte nos aguarda, portanto, podemos esperá-la em toda parte e a qualquer momento. E aprender a morrer nos exime de toda sujeição e constrangimento, já que a vida nos parece rápida – como um relâmpago – e a morte, ao contrário, nos parece uma condição natural e perpétua. Assim, se algo ou alguém pode nos tirar a vida, nada pode nos tirar a morte.

Hoje, especialmente triste com a partida de um amigo, cavei na alma, e nas raízes de nossa infância, plantei saudade. 


sexta-feira, 31 de outubro de 2014

Um segredo

Detalhe de La Jeneusse de Baccus, de W. Bouguereau


Maria afirma não ter religião, vai em todas que for convidada e sempre com o mesmo respeito. Tem forte tendência a se ligar ao Criador, cuja percepção não fica atrelada às religiões, sem a necessidade de intermediários, nem santos, nem pastores, nem padres. Traz Deus em sua vida como uma experiência íntima, particular, intransferível e inenarrável. Um segredo. Nessa questão, Maria é total e completamente individual, o que não a impede de pensar de forma plural em todos os outros assuntos que envolvem a vida humana. Então, no jogo entre viver e ser há empate técnico.

Foi Maria que me trouxe a experiência de mãe como exemplo para entender algumas coisas do cotidiano que extrapolam a família. Desde pequenos, seres humanos são solicitados a aprender regras de convivência e quanto mais expostas a elas mais contatos têm com sentimentos de toda natureza: do amor ao ódio, da compreensão à intolerância, da solidariedade ao egoísmo, do radicalismo à maleabilidade, do autoritarismo à liberdade.

As diferenças de nossas individualidades não são computadas de forma isoladas, mas agrupadas de forma que se pode dizer que o coletivo é construído como o resultado da aprendizagem interna, coordenada com o fluxo externo. É aqui que, alertou-me Maria, que nossos filhos nos ensinam muito, tanto a respeito de nós mesmos, quanto de nossos adversários. Regra geral, irmãos brigam quando estão jogando, passam por cima das regras, roubam, criam estratégias, mas muitos apenas brincam, divertem-se durante o processo. A observação do comportamento infantil remete-nos ao ser adulto. As reações podem ser contidas, mas a natureza humana continua lá, à espreita, esperando o momento de se manifestar.

A humanidade, no entanto, já devia estar acostumada ao fato de o tempo alterar a lógica dos fatos. Não vivemos o mundo de verdade absoluta, mas de verdades relativas, suscetíveis às influências e limitações de tempo e espaço. É nítida a percepção de que estamos em um mundo em construção, aprendendo a viver e a conviver com as semelhanças e diferenças, evoluindo em nosso conhecimento intuitivo e científico. Mas apesar de tudo, de todos e de mim, o mundo gira. Obrigada Maria, por estar atenta.



segunda-feira, 20 de outubro de 2014

Campanha política e relações de amizade

La Discussion Politique, de Emile Friant
As redes sociais dão a falsa impressão de que temos amigos. Eu, por exemplo, lotei o perfil, abri um segundo, e percebi que realmente eu continuava muito só e que amigos virtuais não eram amigos, conhecidos não são amigos e amigos são relações que construímos ao longo do tempo. Por outro lado, tive a oportunidade de conhecer algumas pessoas virtualmente que depois se transformaram em amigos queridos na vida real e outros, que mesmo desconhecidos, passaram a fazer parte de minha vida. Reencontrei amigos que o tempo e a distância fizeram questão de afastar.

Em tempo de campanha política acirrada, com o Estado e o Brasil dividido em dois, novas experiências e reflexões. Quem me acompanha pelo facebook sabe que em nenhum momento alisei ou tentei justificar os mensaleiros do PT. Quando todo mundo falava que ia terminar em pizza, bati firme que o julgamento iria até o final e mais, que eles seriam condenados. Durante o julgamento todo mundo dizia que no final eles seriam inocentados. Julgados e condenados, não apareceu ninguém para assumir que errou, que tirou conclusões precipitadas, que apenas queria tumultuar o processo. Teve um do Paraná que, não contente em escrever porcarias na caixa de comentários, usou o in box para me ofender me chamando de “velha” (ele era 3 anos mais velho que eu), “mapa do inferno”, “bixo feio do satanás” e outras que não tenho coragem de postar aqui.

Então pergunto: isso é algo para se conservar? Mesmo em nome da democracia e liberdade de expressão? Decidi bloquear e ponto final. Até porque liberdade de expressão é um conceito que poucas pessoas entendem. É um direito constitucional, mas tem restrições, obedece a limites, obedece a um ordenamento jurídico. O ser humano é livre para escolher, mas se escolhe errado está sujeito a penalidades. Um princípio básico da convivência social entre pessoas civilizadas.
Aqui procurei, inicialmente, mostrar as realizações do governo Dilma.  Há muita difamação, informações erradas  e uma sistemática dos jornais de grande circulação de não divulgarem os benefícios do governo dela. Ora, se alguém é livre para escolher, que tenha, pelo menos, a informação correta. Não faltaram “amigos” a me destratar por isso. Os que pensam de forma contrária continuam aqui, mas os que vinham escrever palavrões e ofensas pessoais estão merecidamente bloqueados.  Aos poucos fui trocando chumbo. Não poupei borrachadas. E foi até interessante. 

Nos debates entre os candidatos observei que a Dilma se sente constrangida ao ouvir as frases desrespeitosas do seu adversário. Nunca retribui na mesma moeda, mesmo quando ataca. Ela não tem a mesma habilidade oratória do hominho e passa a impressão que “perde” a discussão.  O que está por trás de tudo isso é a verdade. A verdade tem vida própria, resiste às contradições, bate forte nas pessoas, mesmo que em algumas produza efeito de rejeição. Estamos diante de dois candidatos com histórias pessoais diferentes, com propostas de modelo de governo diferente. Enquanto uma lutava contra a ditadura, outro era um playboy mimado alheio ao que se passava no país.  Um é neoliberalista, outro é social democrata. O resto é tudo igual.

Alternância de poder é importante no processo democrático,  mas o Brasil vem de 500 anos de governos que só pensaram no econômico, que não perceberam que o mercado interno é importante e que foi a partir desse entendimento que o Brasil chegou à 7ª. economia do mundo.  Da crise mundial aqui só chegou MESMO uma marolinha. Mais 4 anos à Dilma é até uma questão de justiça. É dar a ela a oportunidade de concluir obras importantes no desenvolvimento do país, em especial às regiões que nunca receberam atenção do governo federal – aqui se incluem Goiás, Tocantins, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, e não apenas o Norte e o Nordeste. 

A menos de uma semana das eleições, vou continuar mobilizada, mas desde já agradeço aqueles que de forma inteligente e polida contribuíram para o debate democrático em meu perfil. Gozo o privilégio de ter amigos leais, inteligentes, comprometidos, parceiros ou não, compartilhando os mesmos pensamentos ou de opiniões contrárias. Cresço com todos. 

quarta-feira, 8 de outubro de 2014

O Complexo do Capitão do Mato



O artista alemão, Rugendas, viajando no Brasil em 1822-1825, retratou um capitão do mato montado a cavalo e puxando um cativo (também negro) com uma corda

Considero meu irmão uma das grandes inteligências que tenho o privilégio de conviver. Ele é lúcido, desapaixonado, racional, reservado, espirituoso, sem contar que foi abençoado com essa inteligência rara e especial capacidade de percepção e discernimento. E nestes tempos (difíceis) de eleição, costumamos conversar muito e ele sempre aclara os pontos duvidosos que tenho em relação às pesquisas que faço. Para chegar à conclusão que meu voto seria da Dilma, há uma pesquisa que antecede a campanha pessoal. Fico satisfeita quando minha conclusão bate com a dele.
Recentemente ele usou um termo que nunca tinha ouvido: Complexo de Capitão do Mato. Só então – a partir da observação dele -  fui pensar a respeito.  Negro, empregado público da última categoria, era encarregado de capturar os escravos fugitivos. Tinha que ser negro, porque, sendo um deles, conhecia os hábitos, pensamentos, estratégias e esconderijos dos escravos. Era um deles, mas tinha conseguido alçar um cargo e, para mantê-lo, não se importava de negar a própria raça, espezinhá-la e, principalmente, não deixá-la alçar ao seu “nobre” status.  Esse sentimento conseguiu atravessar gerações e ainda hoje estamos deparando com a figura do capitão do mato, disfarçada em outras funções e classes, pois também independe da cor atual da pele. (Como assim? Você já reparou naquele funcionário público que pega o cargo de chefia de sua divisão? Prestou bastante atenção na maneira como ele age? Como protege seu cargo? Com certeza, sofre do complexo de capitão do mato). 
Hoje o complexo de capitão do mato pode ser observado no sentimento corporativista, daqueles que batalham muito para chegar a um determinado status.  Quando conseguem ultrapassar a porta, a primeira coisa que fazem é fechá-la para os que vem depois. Afinal, ele ralou muito para chegar até ali. Enquanto quer chegar ele reclama, mas depois que chega, faz exatamente a mesma coisa. Advogados que passaram na OAB não concordam com a retirada do exame. Médicos que tiveram que estudar sete anos para poder trabalhar, não apoiarão jamais “a facilidade” do Mais Médicos. Jovens que estudam para passar no vestibular ou concursos sem cotas, jamais vão aprovar o sistema de cotas para negros e pobres.
Quando o assunto é pobreza então, o complexo de capitão do mato se manifesta como uma explosão de ódio. Agora qualquer um pode ter carro, qualquer um pode viajar de avião, para o exterior!! (olha só que absurdo. Perdeu toda a graça), qualquer um pode almoçar em restaurante, ir a shopping e até usar roupa de marca. Como se explica esse ódio aos nordestinos? Pior, de nordestinos aos nordestinos? De negros contra negros? Quem não se lembra dos comentários a respeito do Joaquim Barbosa assim que começou o julgamento do mensalão? E dos comentários já ao final do mensalão? Passou de protegido a herói, pelos que eram contra petistas, e de competente a arrogante pelos que eram petistas.  E não faltou quem afirmasse que ele fez o papel de capitão do mato ao condenar os mensaleiros ao dobro da pena de Carlinhos Cachoeira.
O tempo muda e a história se repete. O cargo de capitão do mato, para um escravo liberto, de acordo com o professor Nelson Rosa, "atendia às demandas simbólicas de distinção social numa sociedade escravista", mas o que de fato acontecia é que ele, apenas tinha a ilusão da dignidade de seu ofício e se sua suposta autoridade e prestígio de sua função o deixava acima dos escravos e dos pobres livres - mesmo estando mais próximo do senhor do que da escravaria, mesmo morando nas freguesias que atuavam, mesmo vivenciando o cotidiano de outras comunidades -,  nunca foi credencial para ser aceito pelos brancos e poderosos. Não tinha nenhum prestígio social, era inimigo dos negros, e não tinha o respeito dos brancos, mas achava que era superior.
Sempre foi a ralé, como hoje.

https://www.youtube.com/watch?v=albUp-4E1kU#t=48

sexta-feira, 3 de outubro de 2014

Ecos do Silêncio

Létoile perdue, de J.W. Bouguereau
Poucos imaginam minha luta para voltar à vida, para acreditar de novo na humanidade, na política. Poucos imaginam que passei meses sem que brotasse um sorriso espontâneo em meu rosto. Meses em que preferia ouvir “eu quero tchu” que deixar a alma se embebedar de sensibilidade na música das esferas. Poucos imaginam a dor que é perder a motivação e o desejo de escrever, quando isso parece ser a única coisa que se sabe fazer. Em meu lado sombrio habitava o desejo de reconhecimento, em conflito com meu lado luz, que achava isso uma bobagem muito grande. O melhor é que essa fase passou.

Feliz quem sabe dobrar os joelhos em oração e alçar dimensões superiores mesmo diante das dificuldades. Feliz quem consegue transformar a oração em canto de exaltação. Feliz daquele, cuja oração permite romper os muros da solidão, do medo, da fragmentação. Feliz o homem que compreende que não vai mudar o mundo, mas que poderá dar sua contribuição moldando a si próprio. Ninguém pode moldar o mundo à sua vontade, mas pode educar-se, disciplinar-se, gerar ações positivas. Este é o grande poder do indivíduo, enquanto apenas indivíduo. Trabalhar por um mundo melhor, implica trabalhar por um ser humano melhor, consciente, generoso, sem preconceitos e tolerante. 

Então, estou de volta à vida e à luta.

quarta-feira, 1 de outubro de 2014

Pintando o cenário

Painting Studio, de Daniel Bilmes
Acredito que ao nascermos encontramos uma parte da vida já desenhada, o cenário, cujo traçado não dependeu de nós. A outra parte está em branco para que a gente possa preencher de acordo com o que somos. Nem sempre precisamos de grandes acontecimentos para sentirmos motivados para a vida, precisamos apenas compreender os pequenos acontecimentos. Em tempo de tirar máscaras, fico impaciente se me pedem para colocar uma. Nortear-me por princípios universais, valores próprios e códigos de ética individuais pode parecer extravagância, excentricidade ou que sou temperamental demais. Nada disso. Vivo mesmo é em um mundo mágico, reservado àqueles que se detém a olhar além do que está visível, um mundo impenetrável por mascarados. Será que pedir uma vida transparente, honesta, verdadeira é pedir muito?


Cada manhã um novo dia se perfila à nossa frente. Algumas coisas seguem o planejamento, outras nos fogem ao controle. Não se controla a vida, não temos poder de garantir o futuro. Podemos ser senhores de nosso destino, apenas no campo mental, que é onde acontecem as coisas do espírito. Parece que preciso de uma caixa de lápis de cor de pelo menos 48 matizes, para pintar as penas do anjo que mora dentro de mim. Não consigo ainda ter o cenário completo de minha vida, mas cada palavra que consigo extrair de mim é uma peça que entra em cena.

sexta-feira, 26 de setembro de 2014

Viver o presente

Springtime awakening, de Luc-Olivier Merson
Gosto, às vezes, de ficar sem fazer nada, olhando pro tempo, pro espaço vazio ouvindo música. Esses momentos são raros em minha vida, portanto, muito preciosos. Entre um evento e outro tenho intervalo ocioso, mas nem sempre é possível usar o tempo assim. Para isso preciso também da solidão. Hoje é um desses dias especiais, posso ouvir música, olhar o céu, os topos dos prédios e das árvores do vizinho. Queria poder dançar, estou sozinha, mas tem uma câmera que me vigia. Então a alternativa é recorrer ao youtube e se deixar deslizar na imaginação.

Por mais efêmero que seja o tempo presente, aqui e agora é tudo que tenho.  Aqui em que o onde é indefinido e o agora não é quando. Um tempo feito de momentos. De total desligamento.  De pensamentos que me levam ao nada. De nada que me leva ao tudo. É meu paraíso niilista. De vazio e silêncio interior, que faz aflorar o bem-estar profundo, a sensibilidade, a criatividade, a leveza e a serenidade. Completamente despida de preocupações. Esta é uma sensação diferente do ostracismo que leva ao desânimo e à falta de vontade e disposição para viver. Apenas um tempo meu para estar comigo. Viver o presente é uma arte. 

quinta-feira, 25 de setembro de 2014

Onde você estiver...

Era uma vez, em um reino muito distante, uma camponesa, Maria, enfrentava suas primeiras dificuldades como mãe de um lindo garoto. Seu marido saía para longas caçadas e ela tinha que aprender a se virar sozinha nos afazeres domésticos, no cuidado com o filho e nas encomendas dos bordados. Tecia com fios de ouro, sempre colocando em cada ponto traços de delicadeza, de generosidade, de harmonia, de forma que, ao final, gostava de admirar sua obra, como se arte fosse. E a vida era boa, o futuro lhe sorria, a esperança fazia morada em sua casa.
Um dia, entretanto, durante uma das longas caçadas de João, Maria amanhece doente, com tonturas, desmaios, vômitos, diarreia. Com bebê de poucos meses, sozinha e isolada pensa em como fazer para pedir ajuda. Arrasta-se então até à porta na expectativa de ver algum lavrador passar. Depois de algum tempo passa um jovem que se dispõe a ir até o sítio vizinho pedir ajuda. Assim fez, mas a ajuda não veio.
Printemps, de Maria Konstantinowna Bashkirtseff
Está beirando o desespero quando ouve o trotar de cavalos. Anima-se quando um dos soldados do rei apeia e vai ao seu encontro. Maria conta seu drama, mas ele pouco ou nada pode fazer. Para espanto do soldado, mesmo sendo uma camponesa, Maria pede para que avise seu tio, um nobre cavaleiro que se tornou conselheiro do rei. O pelotão parte e seu tio não tarda a chegar. Com o olhar agradecido Maria acompanha cada movimento dele no cuidado com seu filho. Aquele homem forte, imponente, bonito, sabia, mais do que ninguém traduzir em ações aquilo que não conseguia expressar em palavras, a despeito de ser um grande orador. Naquele momento de cumplicidade o que explodia era sentimento, era amor, era a ética do cuidado.
O nobre tio de Maria nasceu em uma pequena Aldeia, não obstante sua origem humilde, soube transformar tudo que se apresentava a seus olhos em livro eficaz. Seu caráter honrado, íntegro e honesto fez com que fosse convocado para servir o Reino, onde prestou relevantes serviços. Foi condecorado por isso. Na vida pessoal, este destemido guerreiro do tempo soube amadurecer seus frutos e lançar suas sementes em terra fértil. No exercício da oração aprendeu a criar uma passagem entre seu interior e o mundo que vivia, marcando o ritmo de seus passos na construção da paz e da justiça.
O episódio mostrou a Maria a grandeza daquele homem que equilibrava dentro de si sentimentos antagônicos como a razão e a emoção. Não era perfeito, certamente, mas tinha a perfeição como meta. Foi um grande pensador e dele Maria aprendeu a deixar o pensamento voar.  As sucessivas batalhas que lutou, acabou o tirando cedo demais do convívio deste mundo. A vida é um mistério, mas também é uma dádiva tão grande, que o mínimo que se tem a fazer é vivê-la em sua plenitude. Hoje ele faz aniversário em uma dimensão ainda desconhecida por nós.


quarta-feira, 24 de setembro de 2014

O Espírito da Primavera

Spirit of Spring, de Alphonse Marie Mucha
Seria uma manhã típica de primavera, não fosse o ar ainda seco pela falta de chuva.  O sol morde seu corpo. Ainda assim o vento bate em seu rosto trazendo novo ânimo e estranha energia. A natureza se renova e sua alma, assim como ela, se sente cheia de esperança, de alegria. O amor perfuma o deserto. A fonte lacrada agora jorra vida que arde em suas entranhas. É um sentimento que ao seu redor tudo pode se aniquilar, que renascerá cantando a simples olhar. Maria é a própria natureza.  A caminhada até o trabalho acrescenta sons de pássaros, acácias floridas, mangueiras carregadas e céu aberto. Maria nem se incomoda com as buzinas e a pressa dos motoristas. O amor que sente florescer é apenas um botão entreaberto. 

Maria vive período de grande iniciação, o que significa na prática que sai de uma mansão da alma para outra. Durante muito tempo pediu ao Cosmos que não a deixasse só, por algum tempo, chegou a pensar que sua vida só teria sentido se encontrasse sua alma gêmea, alguém que a  acompanhasse não apenas nas atividades terrenas, mas também pelo estreito caminho do misticismo. Hoje ela sabe que não precisa de nada disso. Basta um manhã harmonizada com o espírito da primavera.
Ela ama e é feliz!

segunda-feira, 22 de setembro de 2014

Manhã de primavera

Spring, de Frederick Walker



Hoje amanheceu tudo diferente. Por um lapso deixei meu celular carregando ao lado de minha cama e fui acordada às 5h da manhã. Era noite ainda. Não consegui mais dormir - ainda que minhas noites nunca sejam bem dormidas, porque acordo cada vez que um dos meus idosos se levanta para ir ao banheiro. Banho, corrida até à padaria e tênis (outra novidade!) para enfrentar a caminhada até o trabalho. O trajeto é curto e minha colega o faz em 10 ou 15 minutos. Levei quase 60, mas venci dois desafios, do joelho e da respiração. Gostei da experiência e estou pensando em repeti-la, pelo menos até entrar o horário de verão e me roubar esta preciosa hora.

Primavera



Poema de Alice Capel


Spring, de Alphonse Marie Mucha

A primavera chegou.
A nuvem cinzenta do inverno
dá um tímido e silencioso
toque de adeus,
levando consigo quimeras
que se dissiparam.
Há expectativa de felicidade
no cântico matinal dos pássaros
e no encanto das flores que se desabrocham
coloridas.
As canções da natureza calam em nós
como seiva revitalizadora
das flores sugadas pelo beija-flor.
Tudo é alegria!!!
Ora, há translúcida luz do sol
iluminando toda a natureza,
ora,há chuva que nos purifica
e revitaliza nossas almas
em aconchego interior.
Os trovões e os relâmpagos
ainda nos intimidam como sinal
de alerta de que nada é eterno.
Porém, é primavera.
Que ela faça renascer em nossos
corações a alegria de vivermos
em harmonia com toda
a natureza.


sexta-feira, 19 de setembro de 2014

A música e a literatura

A Arte e a Literatura, de Bouguereau
Diante dos contrastes que o mundo me apresenta, posso escolher como viver nele, como me adaptar às contradições humanas e se saber se tenho a serenidade necessária para não me deixar magoar, nem ser dominada pela vaidade, paixão, ou ganância. Deus me deu o dom da palavra escrita e esta é a única forma que tenho para quebrar a barreira do silêncio e deixar minha voz ecoar na imensidão do universo. Hoje tenho a convicção de que o que me move não é o poder da propaganda, mas a ética que norteia a prática e a estratégia para a realização de um objetivo comum. Minha ação é pensada no sentido do bem estar coletivo. Às vezes é preciso silenciar a palavra.

Rhapsody, de Leonid Afremov
Para silenciar vozes externas preciso sempre de uma boa música. Não entendo de música, sou desafinada, mas a música exerce em mim magia e poder de evocar lembranças, criar imagens e mexer com minhas entranhas. Quando o ritmo é vibrante me desafia a dançar, sacudir o corpo, acompanhar a percussão com os pés. E outras me trazem paz e serenidade. Então quando seleciono o que quero ouvir, de alguma forma, seleciono o que minha alma deseja sentir, ou melhor, adquiro o passaporte para viajar para fora e dentro do mundo. A música me tira do cotidiano e me transporta para uma aventura desconhecida, mas muito familiar, de descobrimento e encantamento interior. Importante também é constatar que além disso, a música me traz o reconhecimento das verdades alheias, da aceitação e tolerância das diversas linhas de pensamento. 



quinta-feira, 11 de setembro de 2014

A crise do afeto

Douleur d'Amour, de Willian Bouguereau
O afeto anda em crise nas relações sociais e muitos são incapazes de manter vínculos sem se colocar na defensiva: têm medo da proximidade, da diversidade cultural, das diferenças de pensamento. A relação de afeto com as pessoas e a humanidade significa considerar todos os componentes deste complexo fenômeno que também se manifesta em sentimentos opostos, assim como a ira, o ciúme, a insegurança e a inveja.
O sentimento de amor pela humanidade é manifesto em ações. Muitos lançam mão do relativismo ético para justificar ações infames com raciocínios inteligentes. Chamam a dubiedade de dualidade e esta atitude é típica de religiões, governos totalitários e pessoas individualistas. É interessante observar que o estado evolutivo superior da afetividade não está ligado à inteligência ou à sensibilidade. Nem todas as pessoas sensíveis e/ou inteligentes são capazes de expressar o amor em sentimentos de empatia e solidariedade.
Experiências concretas de contato e ternura nos levam a conhecer um pouco mais de nós mesmos, de nossas emoções e de nossas resistências.