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sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

A Árvore da Vida

Arbor Vitae, de Jen Toplak

Foi assim.
A menina saliente,
alegre, feliz,
irmanou-se ao tempo
e abraçou a realidade.
E o tempo transformou
Seus coloridos matizes.
Não mais sorridente,
Não mais menina,
Não corre ao vento.
Fincada ao chão,
Cria raízes.



segunda-feira, 22 de setembro de 2014

Primavera



Poema de Alice Capel


Spring, de Alphonse Marie Mucha

A primavera chegou.
A nuvem cinzenta do inverno
dá um tímido e silencioso
toque de adeus,
levando consigo quimeras
que se dissiparam.
Há expectativa de felicidade
no cântico matinal dos pássaros
e no encanto das flores que se desabrocham
coloridas.
As canções da natureza calam em nós
como seiva revitalizadora
das flores sugadas pelo beija-flor.
Tudo é alegria!!!
Ora, há translúcida luz do sol
iluminando toda a natureza,
ora,há chuva que nos purifica
e revitaliza nossas almas
em aconchego interior.
Os trovões e os relâmpagos
ainda nos intimidam como sinal
de alerta de que nada é eterno.
Porém, é primavera.
Que ela faça renascer em nossos
corações a alegria de vivermos
em harmonia com toda
a natureza.


segunda-feira, 18 de agosto de 2014

Por enquanto!


São apenas palavras
Que me chegam aos olhos
Não conheço seu rosto
Não ouvi o som de sua voz
Nem senti seu cheiro
Não há nenhum critério
Apenas a vida por ela mesma
E a imaginação livre
Para sonhar, criar e viajar
No tempo e no espaço
Conhecer seu mistério
Nesse silêncio surdo
Não há palavras que quero ouvir
Sem armadura e sem escudo
Não há paradoxo de lutas
Só ternura e meiguice
Só aqui e agora
Um toque diferente
Que, enfim, o revele
Alguém que é
Sem nunca ter sido

sexta-feira, 25 de julho de 2014

No ritmo do tempo





Winter, de Maureen Hyde
Há dias de inspiração
Há dias de silêncio.
Há dias de transição.
Há dia de pausa.
Tempo para girar o foco
Tempo de voltar para dentro.
Tempo de intimidade e repouso.
Tempo de solidão amiga.
De ordenar sentimentos desencontrados.
De frear a pressa, a vaidade,
a paixão desenfreada.
Tempo em que passado e futuro
se encontram no mesmo ponto.
Dias de acolhimento.
Dias de nova reflexão.
Há dias de verdade
Tempo para compreender
e se entender com a própria existência.
Tempo de harmonizar diferenças.
Há dias de intuição.
De viver cada tempo.
Dias de viver com clareza.
No intervalo de tempo
o xeque mate à realidade.
Um silêncio de atitudes.
A cada pausa, um novo recomeço.

quinta-feira, 19 de setembro de 2013

Encontro de almas



Imagem de Julie Bell







Pouco importa se é primavera  na natureza e eu estou no outono da existência . 
Ali, naquele ponto perdido em algum lugar do espaço as diferenças não existem. Apenas sentimentos. 
A paixão é habitada por um demônio, alucinação amorosa, abismo, arma que corta e faz sangrar. 
Mas naquele instante mágico somos apenas dois amantes apaixonados alimentando o espírito. 
Fundimo-nos embalados pela música que somente nós ouvimos. 
Almas entrelaçadas. 
Um encontro sem toques.

quarta-feira, 18 de setembro de 2013

Na chuva

Imagem de Andre Kohn


Cheiro de chuva
Cheiro de terra molhada
Tipo estrada poeirenta
Choveu ontem
Sobre a cidade
E em minh’alma
Como a terra fecundada
Também eu
Fui fertilizada
Plantada em solidão
Brinquei de árvore
Servi de abrigo para
Um sonho pássaro
De canto alegre
Ninho de saudade
Amanheci prenhe de
Ternura  e esperança.
Prenhe de vida.
Bem vinda Primavera


sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Sonho

Mulher e Rosas, de Marc Chagall
Poema de Pablo Neruda


Dorme enquanto eu velo...
Deixa-me sonhar...
Nada em mim é risonho.
Quero-te para sonho,
Não para te amar.

A tua carne calma
É fria em meu querer.
Os meus desejos são cansaços.
Nem quero ter nos braços
Meu sonho do teu ser.

Dorme, dorme. dorme,
Vaga em teu sorrir...
Sonho-te tão atento
Que o sonho é encantamento
E eu sonho sem sentir.

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Segredos que nos unem

Lamia (Waterhouse)




Segredos.
Sempre segredos guardados
que se libertam ao vento
por uma brecha da distração
Ou do desejo
Que é esse vento liberto
Sussurrante
Que leva a escutar a melodia dos dias
Das tempestades e da calmaria
No equilíbrio
Encontrado no desconhecido
Desencontrado
De um encontro sofrido de séculos de desencontro
De vidas nascendo na mistura dos sangues
Enamoramento ou brutalidade
Beleza
De um nevoeiro mágico
que une mesmo sem deixar tudo ver
De um nevoeiro que não apaga o mal
Nem projeta um futuro comum
De adivinhação
De achamento
De todos nós



Entre o silêncio e a solidão, palavras nos faltam, quando cremos poderiam fazer alguma diferença. Depois pensamos, podem mesmo? De que servem as palavras? Elas tentaram quebrar o isolamento e encontraram o silêncio. Elas ecoaram no vazio, perderam-se em algum ponto do caminho. Será? Será, que afinal, poderiam fazer alguma coisa? Talvez apenas isso: elas nos acompanham, depois que já não temos aquilo, mesmo que nunca o tenhamos tido. Esse silêncio de gestos e de toques que se preenche com palavras. Essa solidão, tecida de palavras.

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Envelhecer com dignidade


Envelhecer com dignidade

Agrada-me envelhecer... É como se cada ano
que passasse retirasse um véu dos meus olhos.
Reconhecer a dor, vibrar com a alegria,
sonhar com cada possibilidade,
VIVER a realidade.
Mas, o que mais me encanta é a serenidade.
É ter aprendido a perder ou a ganhar, sem
que isso tenha realmente valor em minha vida,
porque finalmente posso entender
que sempre se ganha.
Perco uma queda
de braço com a existência, mas nunca
perco a lição.
Encanta-me ser chamada de tia pelos amigos
dos meus filhos. Para ser honesta,
há um misto de prazer e
de divertimento quando alguém
desconhecido também me chama de tia,
ainda que a intenção dele
seja a de me xingar...
Só cheguei até aqui porque vivi.
Divirto-me com os donos do mundo, com
a lógica, com a competição dos jogos.
Ao envelhecer sinto que é mais fácil
compreender
os vencedores e os derrotados.
Cada ruga, ou cada fio de cabelo branco
conta uma história.
Todas válidas, reais, verdadeiras.
Gosto das marcas do meu corpo,
São provas de que realmente
EU EXISTO.

sábado, 13 de novembro de 2010

Para renovar o pecado


Há algum tempo venho juntando imagens de Psiquê e do Amor, são telas e esculturas famosas. Em nenhuma vi Psiquê tão entregue ao Amor como nesta Imagem de Bouguereau. É terna, suave, mas traz embutida um erotismo elegante. Adolescentes descobrindo o amor. Brindo o final de semana com Bilac, meu poeta da adolescência. Amem muito! Renovem o pecado... homem maior que Deus!!!

A Alvorada do Amor

Olavo Bilac

Um horror, grande e mudo, um silêncio profundo
No dia do Pecado amortalhava o mundo.
E Adão, vendo fechar-se a porta do Éden, vendo
Que Eva olhava o deserto e hesitava tremendo,
Disse:
Chega-te a mim! entra no meu amor,
E e à minha carne entrega a tua carne em flor!
Preme contra o meu peito o teu seio agitado,
E aprende a amar o Amor, renovando o pecado!
Abençôo o teu crime, acolho o teu desgosto,
Bebo-te, uma em uma, as lágrimas do rosto!
Vê tudo nos repele! a toda a criação
Sacode o mesmo horror e a mesma indignação...
A cólera de Deus torce as árvores, cresta
Como um tufão de fogo o seio da floresta,
Abre a terra em vulcões, encrespa a água dos rios;
As estrelas estão cheias de calafrios;
Ruge soturno o mar; turva-se hediondo o céu...
Vamos! que importa Deus? Desata, como um véu,
Sobre a tua nudez a cabeleira! Vamos!
Arda em chamas o chão; rasguem-te a pele os ramos;
Morda-te o corpo o sol; injuriem-te os ninhos;
Surjam feras a uivar de todos os caminhos;
E, vendo-te a sangrar das urzes através,
Se emaranhem no chão as serpes aos teus pés...

Que importa? o Amor, botão apenas entreaberto,
Ilumina o degredo e perfuma o deserto!
Amo-te! sou feliz! porque, do Éden perdido,
Levo tudo, levando o teu corpo querido!

Pode, em redor de ti, tudo se aniquilar:
Tudo renascerá cantando ao teu olhar,
Tudo, mares e céus, árvores e montanhas,
Porque a Vida perpétua arde em tuas entranhas!
Rosas te brotarão da boca, se cantares!
Rios te correrão dos olhos, se chorares!
E se, em torno ao teu corpo encantador e nu,
Tudo morrer, que importa? A natureza és tu,
Agora que és mulher, agora que pecaste!

Ah! bendito o momento em que me revelaste
O amor com o teu pecado, e a vida com o teu crime!
Porque, livre de Deus, redimido e sublime,
Homem fico na terra, e à luz dos olhos teus,
Terra, melhor que o Céu! homem maior que Deus!

domingo, 7 de novembro de 2010

Somente Hoje




Somente hoje

Hoje
Que os risos das crianças cessaram
Que o festivo badalar dos sinos foram esquecidos
Que mãos ansiosas buscaram o nada

Hoje
Que ando sem caminhar
Que turbilhão de ontens se misturam
Com indecisos amanhãs
Que vozes soam sem nada dizer

O hoje sem expressão
Bocas caladas e medrosas
Heróis sem medalhas
Olhares ardentes mortos no silêncio

Hoje
Retiro meus olhos
Dos sinaleiros da vida
Dos famintos deitados na avenida
E penso na flores...
Vejo então uma pétala caída
O sonho, a pétala
Eu, a Vida