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| Francesco Hayez |
Maria é mulher, fala de vida, de experiência, de sentimentos, de sexo, de lições e apreendizado, um universo identificado por qualquer mulher (e até mesmo homem). Ela sou eu, a outra, todas elas, qualquer mulher, uma mulher qualquer. É a mãe, a dona de casa, a profissional, a prostituta, a religiosa, a vencedora, a fracassada, a lutadora, a cansada, a jovem, a velha, a sábia, a louca. Não é Maria por acaso.
quarta-feira, 14 de maio de 2014
Intimamente intenso
sexta-feira, 9 de maio de 2014
Lua de mel com café
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| Au Café, deWillard Leroy Metcalf |
Um dia atípico,
De emoções mexidas
Revolvidas entranhas
Um sonho menino
Vigoroso e belo.
Convicções estranhas
Um olhar profundo,
Tristonho e colorido
Dualidade extrema
Um caminhante errante
Na estrada que sou
Pausa para café.
Tem gosto de mel
Lua cheia, lua mágica
Luz que reflete
A solidão de ser
Sem luar, sem violão
a vida segue em frente.
sábado, 3 de maio de 2014
A dança do tempo
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| Claude Lorrain (1600-1682) The Dance Of The Seasons |
Poucas
vezes paramos para observar e tentar compreender o tempo – embora
inteligentemente dividido em segundos, minutos, horas, dias, meses,
anos, anos-luz – a percepção dele é individual. Quando se aguarda por
alguma coisa, parece que o relógio para. O tempo fica estacionado na
ansiedade. Outras, quando se tem tanto para fazer, o tempo lhe foge das
mãos. É tudo tão rápido, como se fosse um piscar
de olhos. A história, a memória, as contingências da vida, as
esperanças, as expectativas delineiam o tempo, criam uma linha
imaginária, situam-nos, mas o significado do tempo passa despercebido. O
jovem não conta o tempo. A vida lhe parece eterna. O tempo continua a
ser contado em dias, anos, até que, na estação da existência, se chega
ao outono/inverno. Um dia buscamos na memória e vemos a linha do
tempo. Então é tempo de correr, de viver o que ainda não viveu, e o
tempo se acelera à sua frente. Ele corre, mas o tempo é mais ágil, corre
mais depressa. Também chega o tempo em que não há mais pressa. O
tempo está sempre ali. Um tempo que permite ser sentido, que transforma
sentimentos, que destrói as ilusões e indica a direção a ser tomada.
“Estrada eu sou”, diz Almir Sater na música “Tocando a vida”, uma
composição inteligente em melodia e letra: Só levo a certeza/ De que
muito pouco sei,/ Ou nada sei./ Penso que cumprir a vida/ Seja
simplesmente/ Compreender a marcha/ E ir tocando em frente. Assim, os
sonhos, as fantasias, o lúdico, o conto de fadas, são elementos de um
mundo antigo que não nos pertence mais.
domingo, 27 de abril de 2014
Guia coração!
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| Divining Heart, de Michael Whelan |
Muitas vezes me senti perdida. Se não ficar atenta, eu me perco de mim todos os dias. Lamentavelmente não existem regras, mas há, sim, métodos simples que podem disciplinar nossa mente. Um deles é não ter medo de enfrentar a si próprio, reconhecer seus defeitos, admitir que todos nós temos sombras, mas só podemos combatê-las se as identificarmos. Penetrar nossos labirintos pode ser uma experiência gratificante e pode nos ensinar os primeiros passos em direção à Luz que vem de dentro. Podemos identificar esse ponto brilhante nas sístoles e diástoles de nosso pensamento.
sexta-feira, 11 de abril de 2014
Histórias Prá Boi Dormir
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| Witches Sabbath, de Francisco Goya |
Noite de lua cheia. No pequeno vilarejo de Rancho Fundo, onde a luz elétrica ainda não chegou, os mais velhos
se reúnem em frente ao largo da capela para contar histórias. Faz um
pouco de frio e a fogueira tem então duas funções: aquece e assa batatas
doces, banana da terra e milhoverde. É uma noite comum e as crianças, que se
aproximam alvoroçadas, logo encontram um lugar perto da fogueira onde
ficam caladas esperando pelos casos verídicos. Daqueles que os
contadores juram ter visto "com os olhos que a terra há de comer".
Um pouco isolada da maioria, Maria presta atenção em cada
palavra. Rita é a primeira a contar um fato que marcou sua vida
para sempre. Sua primeira filha evidencia alguns traços de deficiência mental e
ela explica como foi que a criança ficou doente.
- Estava dando "mamá" para ela, recém-nascida, quando uma cobra que
estava escondida entre os caibros, desceu e começou a mamar no outro
peito. Eu nunca acreditei que existisse aquele tipo de cobra, que se sentia atraída
pelo cheiro de leite. Mas ainda bem que mamãe tinha avisado que quando
isso acontece a gente não pode se mexer, senão a cobra mata a mãe
envenenada e a criança enforcada. Fiquei quietinha, mas a criança ficou
assim, doente.
- Cruz credo!
- Virgem Maria!
- Que coisa horrorosa, exclamavam as crianças com os olhares arregalados.
Mal Rita termina a sua história, Benedita comenta:
- Ah! Isso não é nada! Vocês sabem o que aconteceu comigo há uns
tempos atrás? Naquela época que eu era incrédula e curiosa? Pois eu vou
contar:
- Conta! Conta!, pediam os meninos.
- Toda noite, quando eu ia me deitar eu ouvia uma pessoa passar
gritando "Ai meu fígado, meu fígado, meu fígado. Ai meu fígado, meu
fígado, meu fígado". Um dia resolvi levantar para ver quem era e me
deparei com um monstro horrível, ensangüentado, que procurava o caçador
que o havia atingido no fígado.
- Essa é pequena perto da minha, comenta Tia Marica.
- Um dia
estava na janela, era uma noite de lua cheia como hoje e eu não queria
dormir porque fazia calor. Quando deu meia noite vi um grupo de pessoas
se aproximando e percebi que era uma procissão. Achei estranho, não
conhecia ninguém. Elas traziam uma vela acesa na mão e a última pessoa
da fila me entregou a vela e disse que voltaria no dia seguinte, no mesmo
horário, para buscar e que eu não podia deixar apagar. No dia seguinte,
quando eu acordei, no lugar da vela estava um osso humano e eu fiquei
pra morrer de medo, principalmente porque tinha que entregar o osso
naquela noite. Sem alternativa, fui para a janela de novo à meia noite.
Veio a procissão e a mulher parou na minha janela e pediu a vela.Nessa hora apareceu uma
caveira que veio correndo em minha direção sem um pedaço do braço gritando "Quero meu
braço, quero meu braço". Entreguei o osso rapidamente e tentei fechar a
janela, mas a mulher me impediu. Está vendo? Isso é para você deixar de ser curiosa, ir dormir
cedo e nunca mais atrapalhar a procissão dos mortos.
- Entendi, retruca imediatamente Maria, vocês pensam que botando
medo na gente, nós vamos dormir cedo? Podem contar mais histórias pra
boi dormir, porque aqui ninguém tem medo de fantasmas.
quarta-feira, 9 de abril de 2014
Céu de Abril
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| Imagem: "Hip Hip Hurra!" - Peder Severin Kroyer |
As manhãs de abril são realmente as mais lindas, pelo menos nesta região do país. Céu azul, sol brilhante e uma brisa suave para comemorar o dia do nascimento do meu sobrinho Alexandre. Olha só, nasceu no mesmo dia do tio Tote (padrinho do pai dele) e de nossa cidade natal: Cuiabá. Um mestre por vocação, um filósofo por natureza, então, sem ter o que reivindicar, agradeço pela sua vida e pelo privilégio de fazer parte dela. Desejo que cada ação que o mobiliza seja sempre para concretizar o ideal sonhado, edificar e solidificar. É... o tempo assume outras dimensões... Feliz Aniversário Alexandre!
sexta-feira, 4 de abril de 2014
Romance de Outono
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| Romance of Autumn, de George Bellows |
Outono
Alice Capel
O outono chegou com seus matizes coloridos,
pintando o universo com o mágico pincel
da natureza.
As cores resplandecem na imensidão,
e um mundo de vibrações coloridas
invadem toda a natureza.
O Sol se tornou mais poderoso ao penetrar em Áries.
As plantas se revestem com novas forças,
e as borboletas brincam com as flores do jardim.
O beija-flor, de vez em quando, se cruza
com a frágil borboletinha, num encontro formal e respeitoso.
Todas as estações têm seus encantos.
Porém, o outono, para mim é especial.
Será que minha afinidade com o outono é
porque tenho uma alma velha?
Ou, porque nasci no outono?
Não sei. O que sinto, nesta estação, é um desejo
enorme de que todas as pessoas sintam,
como eu, felizes, com forças renovadas.
Com o coração aberto para receber o novo sol
que brilha mais intenso no meu coração,
e no amor que me renova.
Alice Capel
O outono chegou com seus matizes coloridos,
pintando o universo com o mágico pincel
da natureza.
As cores resplandecem na imensidão,
e um mundo de vibrações coloridas
invadem toda a natureza.
O Sol se tornou mais poderoso ao penetrar em Áries.
As plantas se revestem com novas forças,
e as borboletas brincam com as flores do jardim.
O beija-flor, de vez em quando, se cruza
com a frágil borboletinha, num encontro formal e respeitoso.
Todas as estações têm seus encantos.
Porém, o outono, para mim é especial.
Será que minha afinidade com o outono é
porque tenho uma alma velha?
Ou, porque nasci no outono?
Não sei. O que sinto, nesta estação, é um desejo
enorme de que todas as pessoas sintam,
como eu, felizes, com forças renovadas.
Com o coração aberto para receber o novo sol
que brilha mais intenso no meu coração,
e no amor que me renova.
Recolhimento, de Alice Capel
O dia hoje é em homenagem à querida Tia Alice.
Este foi um dos últimos poemas que ela escreveu.
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| John Atkinson Grimshaw - Dame Autumn hath a Mournful Face |
Recolhimento
Vou me recolher no Santuário
do meu Templo Interior
e me embalar nos braços
da solidão Cósmica.
Aquecer meu coração
na luz do sol
e entregar-me à maciez
das espumas do infinito.
Sinto o frio dos desabrigados,
a indiferença
dos que se distanciam de minhas recordações.
No Santuário do meu Ser
vou viver as emoções
dos que ficaram ancorados
em meu coração.
Reviver os meus antigos
e intensos instantes...
na música...
na poesia...
nos sonhos...
e esculpir
a imagem mais forte
que há em mim.
na luz do sol
e entregar-me à maciez
das espumas do infinito.
Sinto o frio dos desabrigados,
a indiferença
dos que se distanciam de minhas recordações.
No Santuário do meu Ser
vou viver as emoções
dos que ficaram ancorados
em meu coração.
Reviver os meus antigos
e intensos instantes...
na música...
na poesia...
nos sonhos...
e esculpir
a imagem mais forte
que há em mim.
quinta-feira, 3 de abril de 2014
Noite de outono
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| Leonid Afremov |
Entre estranhos sons
Sinto-me estrangeira
Distante de mim mesma
Na chuva
Um ponto de contato
O gotejar familiar
A sinfonia de milhares de gotas
Trovões.
Perco o sono
Um estranho renascer
Pingos num bailado brilhante
Vida
Movimento
Som
Reflexão
Uma trilha interna conhecida
A hostilidade contida.
Encho os pulmões de ar
Dói
Como um caramujo
Recolho-me à minha casca.
terça-feira, 25 de março de 2014
Sonhos de Outono
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| Autumn Peace, de Mary Jane Cross |
O outono traz a saudade de volta, mas não de maneira dolorosa. Não há dor no outono das nossas vidas, porque ele traz junto a compreensão. Imagens de tempos vividos, lembranças do primeiro amor, do entusiasmo do verão, da pureza da primavera, são impulsos para o futuro e servirão para nos aquecer no inverno, já não tão distante.
segunda-feira, 24 de março de 2014
Mãos do Outono
Estou há algum tempo
a olhar minhas mãos.
São bonitas,
delicadas,
pequenas,
palmas finas sem calos
– típicas de quem
trabalha
em atividades que
mas ao virá-las,
vejo as marcas do tempo.
Pequenas manchas
e rugosidades,
como folhas desidratadas
que caem no outono.
Mãos que inspiraram poemas
no frescor da primavera,
hoje contam histórias.
Marcas de uma vida
que nada tem de diferente
de tantas outras vidas.
Mãos que se reconhecem
no trabalho
Do campo à cidade,
da cozinha à redação,
do quarto à sala de visita.
Mãos que se reconhecem
No carinho
Da criança ao idoso.
Mãos que bordaram sonhos,
que modelaram doces fantasias
no mundo encantado
de fadas, princesas
e super-heróis.
Mãos que se aquietaram
para contemplar as cores
Mão que repousaram
suavemente
para a consciência voar
na imensidão do Universo,
embalada na espiral
do Bolero, de Ravel.
Mãos que se unem
em oração ao tempo.
sábado, 22 de março de 2014
É o amor!
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| Imagem: Les maries dans le ciel de Paris, de Marc Chagall |
Sabe
aquele momento em que nossas crianças crescem, casam e mudam? Deveria
nos deixar felizes, no entanto, sofremos. Mas é um sofrimento confuso,
pois intimamente partilhamos a felicidade do momento. Todos admitimos
que crianças são seres em formação,mas
temos dificuldades em soltar a flecha.
As sociedades primitivas
entremeavam os ciclos naturais com rituais de passagem, trazendo sempre à
tona, por riqueza simbólica, as questões do nascer e morrer e as
sucessivas transformações pelas quais somos submetidos enquanto seres
vivos. Estamos em constante processo de crescimento e amadurecimento e,
mesmo sem a aura do mistério ou da magia, os ritos de passagem
acontecem: aniversários, batizados, formaturas, casamentos, velórios.
Cerimônias que nos ajudam a representar o indizível e nos preparam para
suportar melhor a passagem de um estado de ser para outro. São nossas
iniciações necessárias...
Toda felicidade meus queridos!
Ah! Meu lindo outono!
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| Imagem: Edward Cucuel (1875-1954) Autumn Sun Oil on canvas |
Eu nasci no outono. Numa manhã de domingo ensolarada. No ciclo da vida, eu me encontro em pleno outono. Aprendi a encontrar o equilíbrio entre as diferenças e a enxergar a beleza com um olhar diferente. É no outono da vida que nos despimos da vaidade - assim como as árvores perdem suas folhas, flores e beleza, para mostrar a sua resistência às intempéries, à capacidade de renovação. Não importa se vamos renascer ou não, o que importa é que estamos vivos e conscientes. Em todas as fases da vida, em todas as estações, a única coisa que não pode morrer é a esperança.
sexta-feira, 7 de março de 2014
Retrato
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| Old woman at the mirror, de Bernardo Strozzi |
Eu não tinha esse rosto de hoje
Assim calmo, assim magro, assim triste
Nem esses olhos tão vazios
Nem o lábio amargo
Eu não tinha essas mãos tão sem forças
Tão paradas e frias e mortas
Eu não tinha esse coração
Que não se mostra
E eu não dei por esta mudança
Tão simples, tão certa, tão fácil
Em que espelho ficou perdida
A minha face
(De Sueli Costa)
Equilíbrio
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| Feather Equilibrium, de Salvador Dali |
Trilhar o autoconhecimento parece utopia, principalmente, se perdermos o foco e nos detivermos nos detalhes do cotidiano, nas notícias de violência, no olhar tendencioso que só consegue enxergar o mal em todos os lugares. Buscar a verdade é trilhar o caminho do meio, com retidão e passos firmes, disciplinados e humildes. Além do equilíbrio, todas as outras virtudes permitem ao homem ser melhor e mais consciente de seu compromisso com o mundo físico e espiritual.
sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014
Em busca de equilíbrio
![]() |
| Imagem Bryan Larson (1975 |
quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014
Reencontros
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| Dvorak Bedrich_ Smetana and his Friends 1865_oil on canva |
quinta-feira, 30 de janeiro de 2014
É só chateação, vai passar
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| Outono, de Maureen Hyde |
Passei a vida sem medo de enfrentar o desconhecido ou precisar evitar olhar para frente com medo de perder o que já conquistei, ou com medo de arriscar, de tentar alguma coisa nova, de recomeçar. Muitas vezes escrevi sobre o medo, mas sempre o abordei pelo lado filosófico – como limite para o crescimento – , ou da falta de ousadia, mas hoje, limitada pela saúde, minha perspectiva é outra. Parece que tenho que agradecer por ter um trabalho em que me sinto explorada em minhas faculdades intelectuais. Medo de reagir e perder o emprego. Um medo que se confunde com a prudência. Não é medo da mudança, mas de não ter mais condição de se adaptar ao novo. Lidei constantemente com mudanças de todo tipo, desde aquelas que parecem simples, orgânicas mesmo, como crescer, tornar-se adolescente, amadurecer e envelhecer, como aquelas que envolveram a profissão, qualidade de vida, adaptação ao ambiente de trabalho, realização pessoal. Todos nós desejaríamos o poder de desvendar o futuro, mas vivemos sem qualquer garantia do que poderá nos acontecer amanhã. Será que podemos garantir uma carreira de sucesso estudando muito? Sim e não. O inesperado faz surpresa. Tudo muda. O contato com a realidade traz, muitas vezes, dúvidas em relação aos objetivos que busquei para minha vida, e todas as decepções, dúvidas, desânimos, fazem parte da história que escrevo.
Já fui workaholic, mas isso antes de ter câncer. Hoje minha
estrutura física não me permite mais afundar 12/15 horas em trabalho como
muitas vezes fiz. Mas as pessoas não entendem isso e assim não consigo manter
um ritmo saudável, que permita, inclusive, fazer dieta para emagrecer os 17 quilos que ganhei
nos últimos três anos. Isso me chateia. Preciso trabalhar, claro, mas porque
não posso ser normal como todo mundo? Ter um horário para isso? E outros ainda me
culpam, dizem que eu me deixo ser explorada. É apenas uma meia verdade, dita
por quem pode escolher. Quem já sentiu a pressão de manter sozinha uma família
sabe bem do que estou falando. Quem passou por uma fase de desemprego, sem
saber de onde sairia o sustento, sabe bem do que estou falando. Quem nunca teve
com quem dividir despesas, sabe bem do que estou falando. Será que ainda terei
tempo de viver?
terça-feira, 28 de janeiro de 2014
As raças que vivem em mim
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| Escultura de Neusa Moraes "Monumento às Três Raças", na Praça Cívica, em Goiânia. |
Ao contrário da maioria dos mestiços, não gosto de negar minha raça. Sinto orgulho dela. Acredito que herdei do negro a resistência, a determinação, a coragem pela vida ainda que em condições adversas. Do índio, o espírito de liberdade, o amor pela natureza e a necessidade de viver em harmonia. E do branco fiquei com o gosto pela leitura, pela escrita, pela música clássica, pela disciplina. E alguns defeitos de todos eles, hehehe.
Os trabalhos de melhoramento genético não consistem em criar híbridos produtivos, resistentes às pragas e doenças, com alto teor vitamínico? Quer mais??? Seria capaz de convencer Hittler que raça perfeita é a que se faz da mistura.
http://www.youtube.com/watch?v=I1zL5-3WXBA
http://www.youtube.com/watch?v=jMn5alxlcsE
quinta-feira, 23 de janeiro de 2014
Perdidamente erótica
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| William Adolphe Bouguereau (1825-1905) Psyche et L'Amour |
Enquanto a pornografia explora o sexo, sempre com explicação cultural e econômica para os atos pervertidos, o erotismo é tão antigo quanto a história do homem. Ele se encontra no Gênesis, nos poemas de Davi, nos pensamentos de Salomão. Está no Rapto das Sabinas, na Guerra de Tróia, em Cleópatra e nos grandes casos de amor. Quem já teve a oportunidade de ler as cartas de Pedro I à Marquesa dos Santos, ou do Príncipe Charles à Camilla Parker sabe disso.
Não existe nada mais difícil que interpretar os fenômenos da vida humana, principalmente quando os pensamentos chocam-se entre si e dão margens a divagações filosóficas. O que é então uma literatura pornográfica? Certamente aquela que descreve situações eróticas, libidinosas, usando linguagem pornográfica ou chula. A literatura em seu sentido puro nunca é pornográfica. Quando não se tem intenção de ser pornográfico, não há pornografia. Ela está nos olhos de quem vê na intenção de quem cria. E não há porque se confundir literatura erótica com mau gosto. A literatura universal incorpora o erotismo e a voluptuosidade desde os tempos primitivos como uma indagação sobre o homem e seu destino, a vida terrena e o futuro. Eliminar a literatura que trata do problema do amor e do sexo faria com que a humanidade perdesse um de seus mais altos instrumentos de busca e resposta sobre sua própria natureza.
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