sexta-feira, 20 de setembro de 2013

No túnel do Tempo

 Alegoria do Tempo (Chronos e Eros) , de Johann Heinrich Schonfeld




O tempo impõe limites, no entanto, o aprendizado nunca acaba. Nesta caminhada interna, ao analisar e identificar cada situação vivida, cada valor cultivado, cada batalha perdida ou ganha, percebi que a esperança habita o futuro. No passado estão apenas as lembranças. As escolhas que fiz escreveram a minha história e continuarão a escrever, talvez com mais serenidade, mais sabedoria, menos ansiedade, mas ainda a mesma história. A juventude deu lugar à maturidade, a rebeldia cedeu à compreensão, a intolerância encontrou aconchego na ternura e, finalmente, entendi que estou na vida para buscar a felicidade. Sou privilegiada ao entender que ainda tenho tempo para mudar. A chave do tempo está na capacidade de mudança e de adaptação ao novo. Viver é o antídoto para o tempo.

quinta-feira, 19 de setembro de 2013

Encontro de almas



Imagem de Julie Bell







Pouco importa se é primavera  na natureza e eu estou no outono da existência . 
Ali, naquele ponto perdido em algum lugar do espaço as diferenças não existem. Apenas sentimentos. 
A paixão é habitada por um demônio, alucinação amorosa, abismo, arma que corta e faz sangrar. 
Mas naquele instante mágico somos apenas dois amantes apaixonados alimentando o espírito. 
Fundimo-nos embalados pela música que somente nós ouvimos. 
Almas entrelaçadas. 
Um encontro sem toques.

quarta-feira, 18 de setembro de 2013

Na chuva

Imagem de Andre Kohn


Cheiro de chuva
Cheiro de terra molhada
Tipo estrada poeirenta
Choveu ontem
Sobre a cidade
E em minh’alma
Como a terra fecundada
Também eu
Fui fertilizada
Plantada em solidão
Brinquei de árvore
Servi de abrigo para
Um sonho pássaro
De canto alegre
Ninho de saudade
Amanheci prenhe de
Ternura  e esperança.
Prenhe de vida.
Bem vinda Primavera


sexta-feira, 13 de setembro de 2013

A hora de se jogar

Imagem de Julie Bell
Tenho um rosto, um nome, um endereço conhecido. Aposto naquilo que conheço e a primeira atitude concreta é assumir cada palavra, cada pensamento, cada ato aqui registrado. 

Comecei pela disciplina de me obrigar a escrever, pelo menos, uma vez por semana. 
A obrigatoriedade de percorrer os labirintos mentais e emocionais abre, com certeza, os portais da compreensão, sem medo de me expor. 

Este escrever a que me refiro vai além das palavras, das frases bem elaboradas, dos textos brilhantes. Falo de sentimentos, de descoberta. 

Deixo para trás a timidez, mas vou continuar contando histórias. O olhar treinado para perscrutar almas mostra que só posso esperar por novas experiências se estiver aberta a elas. 

Quem sabe não surge uma Maria mais atrevida, que deixa sua sensualidade vir à tona e supera a natural impaciência pela falta de surpresas?

Um sonho

Duas crianças, de Pierre Auguste Renoir
Sonhos todo mundo tem. O meu é fazer literatura infantil. Que comece com "Era uma vez..." e termine com "e foram felizes para sempre". Escrever para crianças é, na minha opinião, a depuração máxima da palavra: pura, simples, acessível, despida de qualquer vaidade e interessante a ponto de prender a atenção de um leitor exigente. Busco isso na vida, busco isso na literatura. Antes tenho que me libertar de minha história...

À espera da Primavera


The Flower Girl, de Emile Vernon
Os dias tristonhos se findam. Esta quinta amanhece com céu azul, nuvens brancas, sol brilhante, vento frio e seco. Mais um dia para louvar e agradecer a vida, sem tentar entender o propósito dela, mas simplesmente, deixar-se esvaziar de pensamentos e contemplar a dádiva recebida. O olhar poético, as palavras soltas e a criatividade apenas fluem. Desvendar o grande mistério da vida começa de forma individual, passos lentos de uma caminhada que se faz de dentro para fora. Enquanto brindo à vida, o mundo que existe fora de mim segue seu curso normal, cheio de contradições, de dualidade, de um cotidiano de lutas que não permite a contemplação do que realmente importa: a beleza da criação no caminho de ida ao trabalho – em meio ao engarrafamento – , na revoada de periquitos e cantos de bem-te-vis, nos canteiros floridos que ficam entre as avenidas nervosas, minimizando o ronco dos carros, a buzina dos atrasados. Essa predisposição para ser feliz é interna.

Tristeza que dói

"Maria Madalena" – de Bartolomé Esteban Murillo

Há muito tempo não me sinto como estou hoje, tanto física, como mentalmente. Os últimos dias não foram risonhos. Não existem palavras que consolem a dor da perda, a tristeza dolorida, a saudade sem endereço, o medo que não sei de quê. O medo, por si só, já é sofrimento. Natural, portanto, essa angústia generalizada e sem motivo aparente, mas que assusta. Angústia que desequilibra a dinâmica psicológica, provoca transtornos mentais e dá sensação de aperto no coração. Estou convicta que essas sensações fundamentam a condição humana diante da liberdade absoluta, da vida ou da morte, o que, por sua vez, não me dá (nem a ninguém) autoridade para qualquer julgamento. Nem todo o conhecimento do mundo seria capaz ou suficiente para me representar diante do abismo da identificação. Nem mensagem de autoajuda. Passear na minha alma nestes momentos é um risco. Sinto cansaço profundo.



quinta-feira, 29 de agosto de 2013

Liberdade, liberdade

(Imagem: I wanna be adored, de Stephen Early)



Desde que aceitei o desafio de derrubar o mundo, que construí baseado nas pessoas que amo, 
coloquei em xeque meus alicerces. 
Sinto que é possível, sem alterar o visível, desnudar-me do aparato lógico, encontrar novas possibilidades 
e experimentar a sensação de liberdade. 
Uma liberdade que, segundo Sartre, “não é o arbítrio ou o capricho momentâneo do indivíduo, mas o 
radical da mais íntima estrutura da existência, separado de todos os outros”.
Não sei como se faz isso na prática...
 


Paraíso niilista


Imagem: Found drowned, George Frederick Watts. 1867



Em minha alma, hoje, 
o vazio e o nada se encontram. 
Condição de vida
Momento que antecede a morte.
O vazio e o nada se encontram em mim.
Não existe relevância na situação.
O cansaço se estampa em meu rosto,
em minhas atitudes,
na impaciência de acompanhar a rotina
dos dias, dos trabalhos, das pessoas.
A que tipo de sinal o vazio me expõe?
Alerta para a compreensão,
sem distorção
da realidade.
Nesse caminho
muitas vezes me perdi de mim.
Vivi outras vidas,
dei vida ao que morria,
emprestei minha alma,
afaguei o ego
de príncipes
que viraram sapos,
impotentes, oportunistas, dissimulados
O casulo é meu abrigo.

quinta-feira, 22 de agosto de 2013

Melodia

Misti Pavlov
Na sensação de frio
Nas labaredas do corpo
No ritmo descompassado
No peito rasgado
Coração sangra
Misérias do cotidiano
Desejo de vida
Sem medo de morte
De tempestade
De calmaria
Vazia de amores
Plena de sonho
De fantasia
Perdida no espaço
De nevoeiro mágico
A vida retorna
Sentidos se aguçam.
Visão do futuro
Pele arrepiada
Cheiro de folha amassada
Sabor de fruta fresca
Sons indefinidos
Palavra, apenas palavra
Solidão tecida
Intimidade

segunda-feira, 19 de agosto de 2013

Intervalo silencioso

  Imagem: Venus at Her Mirror, de Diego Velazquez



Amanheço vazia de mim,
sem vontade de levantar,
sinto frio.
Nem certezas, nem dúvidas,
apenas o vazio.
Parece ser o fim.
Desânimo que pede aconchego,
chocolate quente.
Alma que pede alimento.
Perdida de mim,
tateio o escuro,
o obscuro,
escuto o silêncio,
penso no tempo
                                      Sobrevivi.